Eça de Queirós

Nasceu a 25 de Novembro de 1845.
Vale sempre a pena relembrar o fino e certeiro humor dos seus textos:
Ao outro dia cedo, encerrado com o general num dos quiosques do jardim, contei-lhe a minha lamentável história e os motivos fabulosos que me traziam a Pequim. O herói escutava, cofiando sombriamente o seu espesso bigode cossaco.
– O meu prezado hóspede sabe o chinês? – perguntou-me de repente, fixando em mim a pupila sagaz.
– Sei duas palavras importantes, general: «mandarim» e «chá».
Ele passou a sua mão de fortes cordoveias sobre a medonha cicatriz que lhe sulcava a calva:
– «Mandarim», meu amigo, não é uma palavra chinesa, e ninguém a entende na China. É o nome que no século XVI os navegadores do seu país, do seu belo país...
– Quando nós tínhamos navegadores... murmurei, suspirando.
Ele suspirou também, por polidez, e continuou:
– Que os seus navegadores deram aos funcionários chineses. Vem do seu verbo, do seu lindo verbo...
– Quando tínhamos verbos... – rosnei, no hábito instintivo de deprimir a Pátria.
(In O Mandarim)
Comentários:
Vou passar a olhar para o 25 de Novembro com outros olhos!
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