Bom dia OC!
Julgo que esse “post” teve o mérito de animar os OCeanos e motivou nestes 24 dias a publicação de diversas recordações que estariam um pouco esquecidas em vários “baús”. Também é justo assinalar as respostas que alguns deram ao Incentivo/Provocação do Cruz. Tivemos até o prazer de assistir à recente vinda à superfície de 3 OCeanos, que assim manifestaram a vontade de colaborar no “Água aberta ... no OCeano”.
Mas, por onde é que andam o Fernão, o Aguilar, o Selva, o Lourenço Gonçalves e outros que, “in ilo tempore”, já deram aqui alguns ares da sua graça?
É evidente que no bom dia de hoje tenho de assinalar a desistência da regata. E, tal como fiz no dia da partida, também vou recorrer ao que o Simões Teles escreveu. É a última vez que me “aproprio” das suas palavras, o que agora, depois de o termos como OCeano, é um “abuso” que apenas cometo porque já tinha escrito o texto que foi publicado no jornal dos 25 anos do nosso Curso. Cá ficamos entretanto a aguardar o guião da peça de teatro e outros “posts” que espero que ele publique sem ser por interposto OCeano…
29 DE JUNHO DE 1964Estamos praticamente parados. O mar é um espelho e no Diário Náutico regista-se «estanhado». Há quem pesque. Vão dois cadetes para o tope do mastro grande com uma filaça, tentar determinar a direcção do vento. Paira algo de estranho a bordo. Fala-se em desistir e meter máquina. Estamos a 480 milhas das Bermudas e sabemos de 2 veleiros a cerca de 50 milhas.
Discute-se.
E, às 13:00, no meio do silêncio geral, tendo por cenário as velas das Cruzes vermelhas pendentes das vergas, quietas e melancólicas, sem vento que lhes dê vida, o Comandante Horta fala à guarnição. Nesse momento abandonávamos a Regata.
Fizemos tudo o que nos foi humanamente possível. A pouca sorte perseguiu-nos. Em vela é mesmo assim. Desistimos da regata com a cabeça erguida e que ninguém se inferiorize pelo facto sucedido.
«A perseverança quando levada ao exagero, é teimosia» terminou o Comandante Horta.* * *A Regata LISBOA–BERMUDAS na «SAGRES» apesar do insucesso, não é um facto para esquecer. Ela constituiu uma grande lição e uma experiência extraordinária, em especial para nós os 70 cadetes do curso «Oliveira e Carmo» que, durante 24 dias, vivemos e nos esforçámos duramente a bordo da «SAGRES». Todos nos orgulhamos de ter tomado parte na grande Regata.* * *Soubemos posteriormente que o «GORCH FOCK» passara 1 dia antes de nós pelas Canárias, e que foi o primeiro a chegar às Bermudas. O «20» tinha razão… Todos esperamos um dia poder tirar a desforra.

Comentários:
Um abraço de parabéns ao aniversariante.
No que respeita a colaborações, o Conde tem desculpa ... anda em cruzeiro pelo Leste até amanhã.
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